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Mário Franco: luto na engenharia brasileira

Set 04 2019

Aos 90 anos de idade, o engenheiro Mário Franco faleceu em São Paulo. Ele foi um dos maiores engenheiros estruturais do Brasil, responsável pelo cálculo de importantes obras, especialmente na cidade de São Paulo, como o Othon Palace Hotel, o Hotel Unique, o Centro Empresarial Nações Unidas, o Palácio das Convenções do Anhembi, o Pátio Victor Malzoni e tantas outras. “É um dia triste para a engenharia brasileira”, afirma Ilan D. Gotlieb, presidente da ABEG. “Perdemos uma referência na área de estruturas que dificilmente vai ser substituída”, completa Milton Golombek, vice-presidente da entidade.

Com um vasto conhecimento técnico, Franco era admirado e respeitado por todos. “Ele era muito doce, compartilhava seu conhecimento e suas experiências de forma muito gentil, atendendo a todos com muita atenção e carinho”, lembra Gotlieb. “Foi um grande mestre para todos nós”.

Sua personalidade generosa se refletia na atuação profissional. “Para ele nada tinha dificuldade”, conta Golombek. “Sempre dava um jeito de atender a todos os pedidos de forma muito simples”. 

O vice-presidente da ABEG lembra ainda que, apesar de todo o conhecimento e reconhecimento, Mário Franco era uma pessoa muito simples, que não conhecia a arrogância.

O engenheiro Mário Franco

Nascido em Livorno, na Itália, em 14 de março de 1929, veio ao Brasil em 1939. Aqui estudou e formou-se engenheiro em 1951 pela Escola Politécnica da USP. Em 65 anos de carreira, Mário Franco assinou mais de 2.000 projetos.

Em 1952, fundou Escritório Técnico Julio Kassoy e Mario Franco Engenheiros Civis. Franco foi ainda professor do Departamento de Engenharia de Estruturas e Fundações da Poli-USP e também da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da mesma universidade. Além disso, foi professor visitante do Instituto Superior Técnico da Universidade Técnica de Lisboa (Portugal) e em Macau (China).

Todo esse conhecimento e experiência renderam prêmios como “Personalidade de Engenharia Estrutural 2011”, “Prêmio Talento Engenharia Estrutural” em 2003, 2005 e 2008, “Prêmio Emilio Baumgart” em 1985, “Eminente Engenheiro do Ano 2001”, “Prêmio Melhor Trabalho Técnico do Ano” em 1999, 2002 e 2003 e tantos outros. 

A ABEG presta suas mais sinceras condolências aos familiares e amigos de Mário Franco e agradece pelo legado que deixa à engenharia brasileira. Suas lições jamais serão esquecidas.

 

Imagem: oatawa/iStock.com

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1 Comentário

  • Waldemar Hachich
    Link do comentário Waldemar Hachich Quarta, 04 Setembro 2019 19:18

    Venho pensando muito no Mário Franco desde que o Henrique Lindenberg me contou que ele estava internado no Einstein. E se a gente pensa muito em uma pessoa é porque ela foi, de alguma forma, muito importante para a gente. Curioso como algumas pessoas podem ser importantes mesmo quando não tão próximas!

    Trabalhamos juntos em uma única obra. Ambos demos aulas na FAU. Nossos contatos sociais resumiram-se a uns poucos encontros festivos nas casas do Henrique e do Décio.

    Recém-formado, em 1973 aprendi com ele (e com o Maffei) como fazer a simulação numérica da reação de uma estrutura à escavação de um túnel sob ela. Ele era consultor do Metrô e o Maffei o responsável pelo projeto do trecho 3 da linha Norte-Sul do Metrô, na Promon, onde eu trabalhava. O Mário Franco era então um dos pioneiros na utilização de métodos numéricos e na automação do projeto de estruturas. A obra era o reforço preventivo do viaduto da Avenida Tiradentes sobre os trilhos da Santos-Jundiaí, ao lado da Estação da Luz. Ainda se chamava Santos-Jundiai? Não tenho certeza. Talvez já não mais. Os túneis da linha Norte-Sul, escavados por uma tuneladora ("tatuzão", na época), passariam sob as fundações do viaduto. Durante uns 6 meses eu caminhava, mais ou menos a cada 15 dias, da sede do Metrô, na rua Augusta, até o escritório dele, na Rua Luiz Coelho, para discutirmos o progresso dos estudos. Aprendi muito naquelas tardes!

    Nosso trabalho foi apresentado no Congresso Brasileiro de Mecânica dos Solos e Engenharia de Fundações de 1974. Foi, talvez, um dos primeiros artigos publicados por aqui no qual se simulava a interação solo-estrutura em uma situação na qual túneis eram escavados sob a estrutura.

    Agora mesmo, em 2019, publiquei, em co-autoria com colegas da Consultrix, um artigo discutindo a tração na base de tubulões, ainda instigado por um estudo numérico que o Mário fez questão de dividir comigo em 2007.

    O Mário sempre ministrou aulas na FAU. Eu passei por lá alguns anos, quando descobri a admiração irrestrita que ele despertava nos estudantes. Era praticamente uma unanimidade. Ele conseguia, como ninguém, falar a linguagem dos futuros arquitetos. Trocamos muitas ideias sobre o ensino de mecânica das estruturas e dos solos em uma escola de arquitetura. Falamos bastante sobre aquele livro no qual a flambagem (ok, instabilidade elástica) era introduzida com um desenho do Carlitos apoiado na sua bengala. O autor era o Salvadori, se não me engano. Agradava-me trocar ideias com o Mário.

    Os encontros sociais foram memoráveis, principalmente na casa do Henrique. Ele gostava de falar sobre a sua outra paixão: a vela. E sobre música... e sobre tantas coisas!

    Obrigado, Mário!

    Saudades, sempre!

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