A estaca hélice contínua é uma estaca de concreto moldada no próprio terreno, escavada por um trado em forma de hélice e concretada à medida que o trado é retirado. É hoje uma das soluções de fundação profunda mais usadas em edifícios nas cidades brasileiras.
O motivo é uma combinação rara: executa muitos metros por dia, gera pouca vibração nas construções vizinhas e funciona abaixo do lençol freático. Chegou ao Brasil no fim dos anos 1980 e se difundiu nas décadas seguintes.
Apesar do nome parecido, ela não deve ser confundida com a estaca helicoidal, que é metálica e fica no solo depois de instalada. Na hélice contínua, o aço da hélice faz parte apenas do equipamento de perfuração.
A execução acontece em três etapas, sem interrupção entre elas.
Como o furo nunca fica aberto e vazio, a estaca dispensa revestimento metálico e lama bentonítica, recursos usados em outros tipos de estaca escavada para conter as paredes.
O nome completo da técnica é estaca hélice contínua monitorada. Durante a execução, sensores ligados a um computador na máquina registram dados como a profundidade, o torque, a velocidade de rotação e de avanço do trado, a pressão do concreto e o volume bombeado.
Cada estaca gera um relatório próprio. Esses registros não substituem a avaliação técnica: são informações que os engenheiros interpretam para acompanhar a execução e identificar eventuais anomalias.
A escolha da hélice contínua começa antes da máquina chegar à obra. É o projetista geotécnico quem interpreta as sondagens, verifica se o subsolo comporta a técnica e define diâmetro, comprimento e capacidade de carga de cada estaca, seguindo a norma de fundações, a ABNT NBR 6122.
Durante a obra, o projetista analisa os relatórios de monitoramento e os ensaios de carga para confirmar que as estacas se comportam como previsto. Quando algo foge do esperado, cabe a ele ajustar a solução.
Um exemplo recente: um dos projetos vencedores do Prêmio ABEG Sigmundo Golombek 2025, da EMBRE Engenharia, em Brasília, usou 550 estacas hélice contínua. As profundidades foram definidas com modelos 3D do subsolo e controladas durante a execução pela energia de perfuração de cada estaca. Leia a matéria.
A ABEG apoia o 4º Encontro de Engenharia Geotécnica, ciclo de palestras "Fundações e Contenções: Projetos, Monitoramento e Intervenções em Casos de Obra", evento gratuito promovido pela Geotecnia Brasil. O encontro acontece no dia 11 de novembro, das 16h às 19h30, na Universidade Presbiteriana Mackenzie, Campus Campinas (SP).
O encontro reúne profissionais de reconhecida experiência para discutir soluções, desafios e aprendizados em fundações e contenções a partir de casos reais de obra, promovendo uma tarde de atualização técnica e troca de experiências entre profissionais, pesquisadores, professores, estudantes e empresas do setor.
Entre os destaques da programação estão as participações de Carlos Medeiros, da EMBRE Engenharia, e Frederico Falconi, da ZF & Engenheiros Associados), ambos agraciados nas edições mais recentes do Prêmio ABEG. Medeiros apresentará o desempenho geotécnico do Complexo Hospitalar CNC, abordando projeto, instrumentação e monitoramento da obra, enquanto Falconi trará as soluções de contenções, fundações especiais e interação com o Metrô empregadas nas obras do Complexo do Pacaembu.
Frederico Falconi (esquerda) e Carlos Medeiros (direita) receberam o Prêmio ABEG Sigmundo Golombek 2025
A programação conta ainda com palestras de Anna Laura Nunes sobre queda de blocos rochosos, e George Telles, que abordará desafios em solo grampeado. Além da 2ª edição do Prêmio Waldemar Hachich, que reconhece profissionais que contribuem para o fortalecimento da engenharia geotécnica brasileira.
Mais informações e inscrições em: https://eventiza.com.br/evento/fundacoes-e-contencoes-projetos-monitoramento-e-intervencoes-em-casos-de-obra
A ZF & Engenheiros Associados é uma das vencedoras do Prêmio ABEG Sigmundo Golombek 2025 com o projeto de reforço de fundações para o retrofit do Hotel Marina Palace, na Avenida Delfim Moreira, no Leblon, Rio de Janeiro. Assista à apresentação de Frederico Falconi:
Fundada em 1982, a ZF atua em projetos de fundações e contenções e conta com 22 engenheiros, entre mestres, doutores e especialistas. O engenheiro Frederico Falconi, diretor da empresa, descreve a trajetória da ZF como marcada pela busca de soluções adaptadas a cada obra. "Cada obra representa um desafio", diz Falconi. "Temos que pensar em soluções diferentes para buscar segurança, desempenho e custo vantajoso para o cliente."
O desafio do Marina Palace
O Hotel Marina Palace foi construído na década de 1970 e ficou sem uso por um longo período antes de um processo de retrofit ser iniciado. O edifício, com 26 pavimentos e dois subsolos, apresentava deterioração estrutural significativa, e as intervenções previstas no retrofit exigiam um reforço de fundações que não comprometesse o edifício nem as construções vizinhas.
A solução desenvolvida pela ZF combinava tratamento do solo com um novo radier de fundação executado a partir do interior do prédio, sem necessidade de rebaixamento do lençol freático. Chegar a essa resposta, porém, exigiu contornar um problema geométrico considerável: cada intervenção precisava desviar da estrutura existente nos subsolos. "Foi um mês só fazendo zigue-zague para poder chegar", descreveu Falconi.
O projeto contou com a colaboração do engenheiro Augusto Pedreira de Freitas no projeto de recuperação estrutural e do engenheiro Ibsen Puleo como verificador independente, além do engenheiro Jefferson Azeredo e da empresa Carmona Engenharia.
Para Falconi, um dos desafios do projeto foi apresentar uma solução incomum a interlocutores que não eram especialistas em fundações. A tarefa foi facilitada pelo envolvimento prévio dos calculistas estruturais, que já haviam estudado o problema sem encontrar resposta, e reconheceram na proposta da ZF uma saída viável.
O Hotel Marina Palace ainda não está em operação. A fundação foi concluída em 2024 e o empreendimento foi adquirido por uma nova empresa. Falconi projeta um desfecho à altura do trabalho realizado: "Tenho certeza que esse será o melhor hotel do Rio".
A ABEG apoia a realização de uma palestra sobre ensaios e equipamentos para fundações profundas, promovida pelo curso de Fundações e Geotecnia da Universidade Mauá.
A apresentação acontece na sexta-feira, 22/05, às 19h, com o engenheiro Mohamad Hussein, diretor executivo de relações internacionais da PDI – Pile Dynamics Inc. (Cleveland, Ohio). Com mais de 30 anos de experiência na empresa e participação em mais de 1.000 projetos de fundações nos EUA e em 20 países, Mohamad Hussein é referência internacional no tema.
A mediação será feita pelo engenheiro Rafael Valverde, representante da PDI no Brasil.
A transmissão é ao vivo, com participação livre pelo link: https://teams.microsoft.com/meet/25148756331758?p=KXlhKfx6ugCjx3bWtO
A ABEG concedeu, em 2025, o Prêmio Sigmundo Golombeck a EMBRE Engenharia e a ZF & Engenheiros Associados em reconhecimento à excelência técnica de seus projetos. O diretor técnico da EMBRE, Carlos Medeiros, apresentou os detalhes do empreendimento em entrevista à ABEG. Assista ao vídeo abaixo.
O projeto refere-se a um complexo hoteleiro da Confederação Nacional do Comércio (CNC), em Brasília-DF. Para implantação do empreendimento foram realizadas escavações na icônica argila porosa colapsível, característica do solo superficial da cidade. A vizinhança imediata de dois hospitais com bunkers de ressonância magnética, equipamentos com tolerância quanto as distorções angulares de 1:1000, impôs restrições rigorosas a todo o processo executivo e motivou um extenso programa de monitoramento, com inclinômetros e geofones de baixa frequência instalados ao longo da obra.
Entre as soluções adotadas, destaca-se a contenção em dupla fileira de estacas, com a adoção de apenas uma linha de tirante, a solução convencional demandaria três ou quatro. A medida resultou em redução de custos e de aproximadamente seis meses no prazo de execução.
As 550 estacas hélices contínuas das fundações, implantadas em ardósia dobrada, tiveram suas cotas de assentamento definidas por meio de modelos 3D baseados em sondagens de campo e ensaios geofísicos. Cotas que foram controladas e verificadas durante a execução das estacas por energia de instalação, método que foi objeto da tese de doutorado de Medeiros. O método correlaciona a energia demandada na perfuração com a capacidade de carga de cada elemento de fundação.
O desempenho final confirmou a eficácia das soluções: recalques máximos de 15 mm e distorções angulares entre 1:800 e 1:1000. A obra também contou com a colaboração de professores e pesquisadores da Universidade de Brasília nas modelagens numéricas, nas inclinometrias e no monitoramento sísmico, parceria que Carlos Medeiros destacou como fundamental para a trajetória da empresa ao longo de seus 39 anos de atuação.
A ABEG apoia a realização do evento "Geofísica Aplicada à Geotecnia", promovido pelo Núcleo Regional São Paulo da Associação Brasileira de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica (ABMS). A programação está prevista para o dia 5 de maio de 2026 e reúne minicurso, demonstração prática em campo e ciclo de palestras gratuitas com especialistas de referência na área.
Com formato híbrido, o evento é uma oportunidade valiosa para engenheiros, geólogos e demais profissionais das áreas de geotecnia e geofísica aprofundarem seus conhecimentos sobre métodos geofísicos aplicados à investigação do subsolo e à engenharia civil.
O período matutino será dedicado ao minicurso "Ensaios Geofísicos para Engenharia Geotécnica", ministrado por Otávio Coaracy Brasil Gandolfo, pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT).
Com ampla trajetória na área, Gandolfo conduzirá os participantes pelos fundamentos e aplicações práticas dos principais métodos geofísicos em investigações geotécnicas. Em seguida, uma demonstração prática de ensaios sísmicos em campo complementará a formação teórica.
No período da tarde, três engenheiros de referência apresentarão seus trabalhos em um ciclo de palestras abertas ao público:
"Uso dos ensaios sísmicos, magnetométricos e eletromagnéticos na avaliação de fundações", por Tiago de Jesus Souza;
"O uso dos ensaios geofísicos e dos modelos tridimensionais na mitigação dos riscos geotécnicos", por Carlos Medeiros;
"Além da sondagem: como a geofísica otimiza projetos e diagnósticos na engenharia civil (estudos de caso)", por Adriano Marchioreto.
A programação será encerrada com uma mesa-redonda para discussão dos temas abordados ao longo do dia.
As inscrições devem ser realizadas pelo link: https://www.sympla.com.br/evento/geofisica-aplicada-a-geotecnia/3372246
A entrega do Prêmio ABEG Sigmundo Golombek de 2025 foi realizada, em São Paulo, nesta quinta-feira (19/3), sob a liderança do presidente da Associação, José Luiz de Paula Eduardo, em um almoço de confraternização. O encontro reuniu mais de 30 representantes de empresas associadas e convidados especiais, como Gilberto Manzalli, presidente da ABEF (Associação Brasileira de Empresas de Engenharia de Fundações e Geotecnia)
O presidente da ABEG convidou o engenheiro e consultor Milton Golombek para fazer a entrega do Prêmio para o engenheiro Frederico Falconi, representando a vencedora ZF & Engenheiros Associados. Coube ao engenheiro Ivan Grandis fazer a entrega do Prêmio à outra vencedora, a EMBRE Engenharia Geotécnica, que foi representada pelo engenheiro Carlos Medeiros Silva.
O Prêmio reconhece projetos de fundações e contenções que se destacam pela inovação, pela superação de desafios técnicos e pela excelência na execução.
Foi um momento de confraternização e valorização da engenharia brasileira. A ABEG agradece a todos que estiveram presentes.
Assista à cerimônia de entrega:
A Mauá - Instituto Mauá de Tecnologia está com matrículas abertas para o curso de especialização em nível de pós-graduação em Fundações e Geotecnia para Obras Imobiliárias.
O curso tem como objetivo aprofundar conhecimentos técnicos voltados à concepção, análise e prática de projetos de fundações aplicados a obras imobiliárias, reunindo conteúdo atualizado e alinhado às demandas do mercado.
As matrículas para o primeiro módulo seguem abertas até o dia 28 de fevereiro de 2026. As aulas terão início em 6 de março de 2026.
O primeiro módulo, intitulado “Geotecnia e Concepção de Projeto de Fundações”, apresenta fundamentos geotécnicos aplicados ao desenvolvimento de soluções de fundação, abordando critérios de projeto, análise de solo, interação solo-estrutura e aspectos práticos essenciais para a tomada de decisão técnica. O curso conta com acompanhamento de ensaios em campo.
Mais informações sobre o conteúdo programático podem ser consultadas no site da Mauá: https://maua.br/pos-graduacao/atualizacao-120h/geotecnia-e-concepcao-de-projeto-de-fundacoes
A iniciativa reforça a aproximação entre a academia e o setor produtivo, ampliando o acesso à capacitação técnica de alto nível para profissionais que atuam na área de fundações e geotecnia.
Com profundo pesar, a Diretoria e os associados da Associação Brasileira de Empresas de Projetos e Consultoria em Engenharia Geotécnica (ABEG) lamentam o falecimento do engenheiro Jarbas Milititsky, ex-presidente da ABMS e uma das mais notáveis referências da Geotecnia brasileira.
Jarbas contribuiu de forma marcante para a consolidação institucional da engenharia geotécnica no Brasil e para a aproximação entre a academia e o setor empresarial. Sua liderança, visão estratégica e dedicação permanente deixaram um legado que seguirá inspirando profissionais, empresas e entidades do nosso setor.
A ABEG manifesta sua solidariedade aos familiares, amigos e colegas neste momento de grande tristeza, rendendo homenagem à trajetória exemplar de um engenheiro que ajudou a construir e fortalecer a Geotecnia em nosso país.
A Associação Brasileira de Empresas de Projetos e Consultoria em Engenharia Geotécnica (ABEG) definiu a composição de sua Diretoria para o Biênio 2026-2027. Encerrado o prazo para inscrição de chapas para o processo eleitoral, não houve registro de candidaturas, o que resultou na permanência da atual Diretoria, com atualização de sua composição, que passa a vigorar na próxima gestão.
A decisão garante a continuidade administrativa e institucional da ABEG, reforçando o compromisso da entidade com a representatividade do setor de projetos e consultoria em engenharia geotécnica no Brasil. A nova composição reúne profissionais com ampla experiência técnica e atuação reconhecida no mercado, que seguirão contribuindo para o fortalecimento da associação, o diálogo com entidades do setor e a valorização das empresas associadas. Confira a seguir.
A ABEG agradece a disponibilidade e o comprometimento dos integrantes da Diretoria, dos Conselhos e de todos os associados, destacando a importância da atuação conjunta para o desenvolvimento técnico, institucional e ético da engenharia geotécnica no país ao longo do próximo Biênio.